Em cena uma Revista à Portuguesa (talvez a 1ª em Lagos), realizada nos anos 50 pelo José Gaspar e pelo Clube Marítimo Os Lacobrigenses.
A misteriosa caixa cênica
O José Amandio (à direita) fazendo o fecho do espectáculo.
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O José Gaspar em cena. (no canto direito em baixo. o irmão do jornalista Calitas)
Guerra em cena - negócios de família.
Cantarinhas nas ancas
A Odete e o Silvestre (alfaiate).
A Maria Dilar e o Maciel Momentos de Fado: Maciel, Silvestre, Augusto -guitarra, José Amandio e o José Luis (da Garrett) - viola. A Maria Dilar fadista
Era eu menino !... Com quanta saudade recordo toda esta actividade do meu pai e todos estes personagens que participavam generosamente e desinteressadamente por amor ao clube, embrenhados na arte do teatro e do folclóre, retratando pedaços da vida (que na altura não era fácil), deliciando e fazendo sonhar a plateia. O teatro e o folclóre vêm do povo, nascem livres nos corações dos camponeseses, dos pescadores. São o trabalho, o mar, o campo, as fábricas, os partos, as mortes, e a luta pela vida. O meu pai sem ser um intelectual, lia perfeitamente este mundo. Gostei do que ele fez...
Obrigado José Gaspar !
Baile de Roda "Arribalé" (fotos da cidade de Lagos)
Rancho Folclórico do Clube de Futebol Marítimo "Os Lacobrigenses"
Anos 50
PS. A qualidade das fotografias, a imprecisão de alguns nomes, datas, e erros de gravação, são da responsabilidade do tempo, da tecnologia e da minha memória. As minhas desculpas aos mais exigentes.
............ Foto tirada na sede do Marítimo na Rua 1º. de Maio em Lagos - 1955 (clique na foto)
Marcha das Camponesas
Rancho Folclórico do Clube Futebol Marítimo "Os Lacobrigenses"
JOSÉ GASPAR
Um homem que os autarquas da Cidade de Lagos esqueceram...
José Gaspar, natural de Lagos, filho de António Gaspar (Lagos) e de Maria de Assunção (Montes de Alvôr).
..................................Nasceu a 23-6-1920 e Faleceu em 7-4-1964
..................................O casal Gaspar: Julieta e José com 17 e 21 anos
Recrutado para o serviço militar de Lisboa, levou consigo a namorada Julieta dos Santos e em Peniche ficou a viver de uma pequena empresa de fabrico de calçado. Dotado de uma boa veia artística, começou a fazer teatro, cegadas*, folclóre, etc. Em 1942 (?) fundou com alguns amigos o Rancho Folclórico dos Pescadores e Rendilheiras de Peniche que à época era a par do TÁ Mar da Nazaré e outros, a nata do folclóre português. Regressando ao Algarve-Lagos em 12/1952(?), dedicou toda a sua vida ao associativismo, fundou o Ranho Folclórico do Marítimo e foi durante alguns anos o Presidente do Clube Futebol Marítmo "Os Lacobrigenses". Desenvolveu trabalho de vulto neste clube desportivo e recreativo. Ficaram célebres as matinés e os bailes, as gincanas de dança, as noites do bailes da pinha e de carnaval que duravam até o sol nascer, assim como as revistas o teatro e as marchas cantandas e dançadas pelas ruas da cidade **.
A criação do Rancho Folclórico do Clube Futebol Marítimo "Os Lacobrigenses" foi um trabalho árduo, entre outras tarefas: cantarolar as melodias para os acordeonistas aprenderem, explicar às costureiras os desenhos do trajes, ensaiar os passos das danças e o mais difícel, mobilizar as raparigas com a difícil autorização das mães (face aos tabús e preconceitos próprios da época), para participarem nos trabalhos do grupo. O Rancho (aonde militaram dezenas e dezenas de jovens) participou e ganhou prémios em alguns certames com destaque para um 1º. Prémio num certame internacional na Alameda de Faro. Gravou dois discos, um LP e um EP, participou num programa de televisão na RTP e em espectáculos em Lisboa. Guardo ainda na memória a espectacular actuação deste Rancho, nas Comemorações Henriquinas de Novembro de 1960 em Lagos, quando pela alta qualidade, se destacou de todos os outros grupos folclóricos presentes. Em toda esta actividade do José Gaspar, participaram algumas personalidades (artistas e intelectuais) da cidade: Prof. Anatólio Falé, Tino Costa, Maria Dilar, José Vicente (o popular Zé de Marrocos), Sebastião Murtinheira, Sr.Pestana (em aspectos etnográficos) e o músico António "da Chã" que teve a paciência de passar para o papel todas a notas musicais que o José cantava.
* Cegadas são pequenas peças de teatro cantadas e representadas na rua. Vêja exemplo de uma organizada pelo José Gaspar, que eu retrato em Carnival Time (A morte do Entrudo anos 50) num post de 20/2/2009.
**As pessoas mais desfavorecidas aderiam a tudo isto como uma forma de se divertirem e de terem algum contacto com a cultura, porque os outros clubes da cidade (Grémio, Artístas, Ricos e até o Metalúrgico) fechavam-lhe as portas numa acção discriminatoria. Por exemplo uma operária conserveira, um pescador que não pescasse numa traineira ou um operário, não poderiam frequentar os clubes de elite, era a cidade e a gente que tínhamos. Por toda esta desigualdade e pela pobreza de espírito dos chamados ricos e "finos", o povo adorava a actividade do José Gaspar e gostava dele. Em Lagos, não há memória de um funeral com o do José, parecia que a cidade inteira estava presente para lhe dizer adeus. Faleceu o José Gaspar, o Rancho Folclórico do Marítimo e como uma desgraça nunca vem só, o Clube Marítimo " Os Lacobrigenses" acabou por falecer também perante a "complacência" das entidades locais.
Rancho Folclórico dos Pescadores e Rendilheiras de Peniche O José Gaspar é o 3º. da esquerda.
A Julieta (minha mãe) é a do meio.
José e Julieta (grávida do meu irmão)
*Click nas Fotos para as ampliar.
Primeira formação do Rancho do Clube Futebol Marítimo "Os Lacobrigenses" 1953 Maria da Glória, Idalina Marreiros, Maria Francisca, Carminha, Noémia, Alda Mateus, Amélia(Pinguinhas) e Anália, Orlando Café, Manuel Firmino, João, J.A.Santos e Basílio. Actuação na Estalagem S. Critovão (do Hermano Baptista) com os acordeonistas "Tóino da Chã" e o Duarte Ribeiro. Depois de o Jantar. (José Gaspar ao centro ao lado do José Borlinha, director do Rancho) Outra formação - o Penúltimo homem (criança) à direita sou eu o Armindo Gaspar Para lá das raparigas da foto anterior, figuram: a Madalena, a Fátima e a Henriqueta, o Manuel Aníbal, o Manuel Cabreiro, o João, o Chico, o Augusto, o António Café e o José Gaspar atrás da Bandeira.
Carregando a rede na Ribeira.
Remando no Bote.
- Deixa a moça pá ! Carminha e Orlando
Esperandos os pescadores !?
Dançando o corridinho com alegria...
O Zé da "Avó" e a Maria José
A Madalena e o Manuel Cabreiro
O 2º. Disco EP (Gravado por volta de 1965 - já após a morte do José Gaspar). O 1º. Disco LP não resistiu ao tempo, talvez por ter sido feita uma edição muito reduzida !?
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Os diferentes Trajes das três diferentes formações
Letras de canções:
Corridinho maroto
. Puladinho agarradinho Assim contigo quero estar Abraçadinho p’lo beicinho Junto a ti hei de ficar (bis) Vai rodando vai rodando Não te negues a rodar Entra na roda pulando Eu contigo hei de ficar
Tu és maroto dás-me no goto Mas tu de mim tu já não gostas Não sejas ruim não vires as costas (bis) Bailes bem ou bailes mal Hás-de ser sempre o meu par P’ra tia não vou ficar.
Corridinho do sarilho
Dança comigo Dá-me os teus braços Dá meia volta Damos dois passos Dança comigo Sim ó morena Saia rodada Cara pequena Vem cá Não digas não Dá meia volta Com emoção Se danço Faz-me lembrar Uma cachopa À janela a namorar
Dançamos o corridinho Agarrado ao par Com muito jeitinho O corrido bem dançado É bem bonito E apreciado O amor quando se encontra Mostra esperança E muito carinho E vem de modo engraçado De cara ao lado dá cá um beijinho.
Baile de roda “Arribé”
‘inda agora aqui cheguei E já me ponho a cantar ‘inda agora aqui cheguei E já me ponho a cantar Cantas bem que eu bem sei A roda vai animar Cantas bem que eu bem sei A roda vai animar
Bate bate (arribé) Teu pé no chão “ “ “ Roda roda “ “ “ Na minha mão “ “ “ (refrão) Ao compasso “ “ “ Mais apressado “ “ “ Meu peito ao meu “ “ “ Muito apertado, ói…
Esta roda está formada É Manel animação Esta roda está formada É Manel animação Vim do mar para saltar Junto do meu coração Vim do mar para satar Junto do teu coração (refrão)
Ó Maria deixa falar Há má lingua em todo o mundo Ó Maria deixa falar Há má língua em todo o mundo Não me deixes a vazar Nem deites a fateixa ao fundo Não me deixes a vazar Nem deites a fateixa ao fundo (refrão)
Ó meu cravo desfolhado O teu cheiro já se perdeu Ó meu cravo desfolhado O teu cheiro já se perdeu Guardas o osso deixado Das popas qu’outro comeu Guardas o osso deixado Das popas qu’outro comeu.
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Vira de "Pesca ao candeio"
Não quero que vás ao mar Receio em te perder Vem para a praia pescar Quero contigo aprender
Meu amor é como o mar E como o vira também ...............Refrão Que se farta de virar Sem se agarrar a ninguém
Quero ver se tudo isto
Que trago dentro do seio
É capaz de te atrair
Como na pesca ao candeio
Rapazes e raparigas
Cautela tenham cuidado
Que o fogo que muito brilha
É dificil apagá-lo.
Marcha da Costa d’oiro
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Ó Lagos terra de encantos E de belezas sem par São lindos os teus recantos Alguns beijados p’lo mar Tens o forte da bandeira O cais da solaria A tua bela costa de oiro Que encerra tanta magia
Adeus Lagos De humildes pescadores Ó Lagos terra de encantos E de formosas morenas Adeus Lagos Terra formosa de amores De lanchinhas e traineiras E humildes pescadores
A bela praia formosa Ligada à dos estudantes A caldeira e o pinhão Como dois velhos amantes Sentinelas da baía Te guardam a costa d’óirada Para não teres receio Que ela te seja roubada
...........................................Adeus Lagos………. Da D. Ana ao Camilo Tens o gigante e a boneca O arquinho e o moinho de vento Ao lado a vinha cavada A balança e a piedade Com as suas furnas sem igual Que fazem deste (lindo) cantinho O mais belo se Portugal.
Marcha das camponesas
Passa o rancho de Lagos Pelas ruas a cantar O mais lindo e sempre fixo O rancho mais popular Camponesas engraçadas Vestindo saias vermelhas Lembram-nos as lindas fadas Citadas nas velhas lendas.
Viva o rancho de Lagos Vamos p’ra ele cantar O mais lindo e sempre fixo O rancho mais popular Pescadores e camponesas (refrão) Vamos todos a cantar Não esqueçamos Lagos Que é de todos o mais fixo Dos ranchos da beira-mar
Nós alegres pescadores A palma ninguém nos tira Nossas camisas de cores São feitas de caxemira Vamos todos caminhando Com ardor no coração De braço dado entoando Bem alto a nossa canção.
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Vira de Lagos
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Que bonito é ver ao longe
As lindas embarcações
E na praia a palpitar
Ficam os nossos corações
Ó vira que vira
Vamos para o mar
Pescar a sardinha Que belo manjar.
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Noite de Cantigas
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Noite de cantigas
Quando as raparigas
Coma alegres cores
Saltam as fogueiras
Esquecem canseiras
E pensam em amores
E sempre contentes
Corações ardentes
Bocas a sorrir
Deixam ao deitar
Um cravo ao luar
P'ra ele florir
Quem amor não tem
Peça ao Santo António
São João lá vem
Traz o matrimónio
Quem amor não tem
Peça ao Santo António
São João lá vem
São João lá vem
Traz o matrimónio
Haja romarias
Haja romarias
E toca a folgar
Todas as Marias
Todas as Marias
Têm o seu par
Teatro
Representando
Maria Dilar (ao centro de colar ao peito)
Marcha das Camponesas
Rancho Folclórico do Clube Futebol Marítimo "Os Lacobrigenses"
Cantam Manuel Firmino e Maria Francisca, acordeon António da "Chã"
(estas fotos e mais algumas, fazem parte do conteúdo de um bau de recordações da minha saudosa mãe e algumas foram-me gentilmente emprestadas por antigos membros deste Rancho. Enviei também as do Rancho de Peniche para um Museu local).
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PS. Informo as pessoas interessadas que no próximo verão de 2011, 47 anos após o falecimento do José Gaspar, será organizado um jantar em memória do mesmo com a apresentação de todas as canções do Rancho, recreadas e gravadas por mim com nova tecnologia.
Podem contactar-me pelos Telefones 282/089613 ou 965672208
(Este jantar estava previsto para este ano de 2010, mas por dificuldades e falta de tempo foi adiado para 2011)
O rei dos instrumentos musicais é a voz humana, assim como o melhor som de precussão é o do corpo humano, a testemunhar estas palavras, o filme abaixo:
Quando num post anterior falei do Carlos Murtinheira (Carlos Tarzan), lembrei-me ao mesmo tempo, de todos os amigos que já partiram. A eles dedico esta fantástica canção de Alberto Cortez, cantor que era ao tempo a minha fonte de inspiração quando comecei (com Os Deltas) a cantar e tocar.
Foram 45 anos de profissionalismo acompanhado por dezenas e dezenas de músicos e amigos. Uma vida cuja tónica era mesmo só a música. Tudo começou com os bailaricos na antiga Esplanada de Lagos, no Marítimo, no Sport(e), no Metalúrgico, nos Artístas, no Grémio, na Lota (1ª discoteca do Algarve), no Boa Esperança, nos mais variados Bares e Hoteis do Algarve, nos Casinos, numa digressão com uma Volta a Portugal em Bicicleta Portugal 1973?(na promoção da 7Up em Portugal), no Teatro ABC - Lisboa, assim como; em Alicante, Playa del Inglês, Suiça, Alemanha, etc. Acompanhei dezenas de artistas estrangeiros e portugueses: Rick May, Alex (com o qual gravei um disco), Duo Ouro Negro, Tonicha, Simone de Oliveira, Susi Paula, Sergio e Madi, Natalina José, Maria Armanda, Juca São Tomé, Milley Martin, Sandro Coré e outros que já esqueci.
Discografia: Gaivota Branca com o Alex, Relax (com o José Bandarra), Gaveta Aberta, O Escorpião e em 2009 Tabémdêxa (música popular portuguesa).
Olhando para, trás penso que a música foi o melhor que aconteceu na minha vida e foi ela que me deu a conhecer também a minha bela esposa - Vreni.
Esta matéria é composta de seis partes e é dedicada aos meus amigos e a todas as pessoas que me conhecem. Eis a 1ª e a 2ª.
1ª Parte
2ª Parte
*A banda sonora destes filmes (composição e interpretação) é de minha autoria.
Para uma escalada até à rocha mais alta da Praia da D. Ana ou da Batata, um grito à Johnny Weissmuller e um mergulho fantástico nas cristalinas águas da nossa baía, só o Carlos Tarzan.
Carlos Manuel Murtinheira Martins "O Tarzan"
Filho de uma lacobrigense e de um farense, nasceu em 29/01/1945 e faleceu (de doença prolongada) em 19/08/2005.
Homem bonito, alto, elegante, de fino trato, inteligente, tolerante e de um out feet hollyodesco soberbo, pelo qual as girls estrangeiras se derretiam de amores e os magnatas da cidade, de inveja. Autodidacta de qualidade quer na pintura quer na escultura e um anarquista nato. Na meninice brincamos aos cowboys, aos mosqueteiros, chutamos bolas de trapos, fizemos deslizar arcos, carros-de-ladeira, peões e berlindos. Passaram os anos e nos 60's e 70's curtimos; charros, Jack Karouace, John Steinbeck, Beatles, Yes e Emerson Lake and Palmer, etc.
Era "um" diferente, recusou o fato e a gravata e foi em Lagos o pioneiro dos cabelos compridos, dos anéis coloridos e das roupas "à hippie". Cedo revelou uma grande curiosidade e aptidão para a pintura e escultura, a qual esculpia com arte e engenho. Deixou um espólio de dezenas e dezenas de trabalhos que não quiz vender e que na minha opinião deveriam ser analisados por entendedores.
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*(Um agradecimento à Susana (Suiça) a sua companheira, que nos deixou entrar nos seus aposentos para uma pequena conversa e fazer algumas fotos de trabalhos do Carlos).
Auto-retrato
Os seu aspecto físico, psicológico, e emocional, é bem visível neste auto-retrato.
Carlos, deixo-te esta pequena homenagem em nome de todos os teus amigos.
(as fotos do Carlos foram as possíveis)
Filme que descobri no youtube com o Carlos Tazan, o Catulo e o Chico Albardeiro.