quinta-feira, 10 de março de 2011

The Merry Boys - Uma grande Banda lacobrigense

Creio que no princípio dos anos 60 quando nasceu em mim o vício da música e ouvia os ensaios desta banda, acendeu-se uma luz quanto o saxofonista Vitor Moreira me convidou para vocalista dos Deltas. Cada vez que passava pela "Ladeira da Inês" parava e escutava os acordes e as discussões (naturais) dos ensaios dos Merry Boys, ficava entusiasmado. Um dia alguém me disse que havia algo de especial no ensaio. Corri mas cheguei atrasado, soube depois que o guitarrista Carlos Meneses (grande figura do Music Hall português) tinha estado presente no ensaio, assim como o Prof. Anatólio Falé e que tinha havido uma Jazz Sensation com estes dois grandes músicos.

Os Merry Boys foram ao tempo um boa banda de entertenimento e a primeira que vi com Orgão Electrónico (som que desde logo me fascinou). Quando da explosão do turismo no Algarve, foi também a primeira banda do Barlavento a ser contratada para Hoteis. Lembra-me que tocaram durante algum tempo, no Hotel Penina.

O José Luis da Glória (o seu lider) era já um músico com boas "orelhas" e conhecimentos, que faziam dele um bom solista da guitarra. Era o homem que organizava, ensaiava e escolhia o repertório de qualidade em função das pessoas que os ouviam.

Lamento que não tivessem deixado nada gravado, seria um tesouro. Lembra-me vê-los actuar em algumas ocasiões; bom som, boa harmonia e alegres como o nome sugeria.

Uma Banda da nossa terra que não esqueço.



Matoso e Carlos Sousa




Carlos Azevedo e José Luis

Passaram ainda por esta banda músicos como: Rogério Limão (acordeon), Tino Costa (acordeon), João César (acordeon), Eugénio (vocalista) e Paixão (contra-baixo)


Eugénio (antigo funcionário do B P do Antlântico de Lagos)



Esta Banda chamava-se (creio?) Vera Cruz - ainda na foto: João Fulana, Manuel Guerreiro e J. César. O M. Guerreiro (falecido) viria anos mais tarde a dedicar-se ao Jazz - Bar Cheminé, Carvoeiro.




João César




Mellow Yellow e Abbracciami Forte Duas canções que os vi e ouvi interpretar bem.
BRAVO Merry Boys - Valeu a pena...
Post de Armindo Gaspar 10/03/2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

"CARNIVAL TIME" O enterro do Entrudo (anos 50) - Lagos






A pedido do amigo José António (da ElectroLagos) e porque estamos na época do Carnaval, uma vez mais a Lenga Lenga...
Lenga Lenga Lacobrigense - original de Armindo Gaspar

Chegavam de todo o lado.
De bairros de velhas ruas de becos e quintais, gente boa simples anónima e sem nome.
...Apenas, apenas "Alcunhas".
O ar cheirava a frio, som, cores e a alegria, era um carnaval da província. A Praça da Música aonde nas tardes frias de inverno corpos frios aqueciam ao sol, era o lugar do festão. Alguns papeis coloridos esvoaçavam presos a fios de pesca.
...A noite comia o dia.
O cheiro do polvo nas brasas , dos grãos torrados da batata doce cozida, das castanhas assadas
das filhós e "seringonhos", era contagiante. Em cada recanto da Praça vendiam-se guloseimas; A Maria das Caldeiras das castanhas, a tia Rita das pevides, a ti Caetana dos pirolitos e o tio Frederico Feles (Félix) com os Drops Americanos.
Junto ao Mercado dos Escravos a voz do Zé do Maraquilhé.
- Quem quer comprar maraquilhé ?
Sob a protecção da Igreja de Sta. Maria, naquele coreto de ferro velho pintado e pedra fria, ia à cena uma cegada sobre o enterro do Entrudo. Chegavam de lã vestidos e de samarras da feira-franca, personagens de mistério, uns mascarados outros entrapados e até alguns desnudados da zona do cemitério. Montada a tralha no coreto começara o bailarico.
O Inácio sagreiro que não cobrava dinheiro fechava os olhos e abria o fole, o Atóine da Chã,
o Mané Major cabeçudo, o Augusto da moleta na guitarra, o Lava a Cara no "jaz", o Jaquim
Xaiôta na gaita, o Ginja na trompeta e o Zé Cailogo nos pratos. O Eduardo Chapagem no bombo, o pai Falé no harmónio, o Manél Carreiro na concertina, no contra-baixo o Paixão (pausa) e o Artur Baldeôrras que endoidava a orquestra, num samba de ocasião.
De uma assentada chegaram;
O Portela, a Peidoca, o Domingos Chinês, O Henriquinho-bom-Mocinho, o Zé Raxú, o Redondo,
o Fecha-a-boca-Antero, o Leonardo coxo, o Canta o Galo, o Chico da Cal, a Latombas, os Capa
Branca, a Chica Dezoito, o Brinca à Sombra, a Derrete, e a "Barcelisa". A Chica Ragatôa, a Rabina, o Joaquim Porco, o Xico Calhau, o Cabecinha d'Alho, o Pixita, a Jorgina Ramelica, o Orelha Ratada mais o Sr. Prior e de Espiche o Chico Benico com o seu fato multicor.
Comiam bebiam e foliavam, qual Rio qual Koel ou Veneza? Este era o carnaval nº. 1 com certeza. Na noite de sede e de farra, já se dançava. A malta pulava, roçava e rosava até o sangue
ferver. Ao longe, os "mirones"; o John Café, O Victor-pé-de-Chumbo, o João Toureiro, o Carlos Sorna, o velho Graça Mira sentado na motoreta, a Vitória-Gata-Assanhada e isto ainda não é nada. Mais um copo, uma aguardente, tocava o sino da igreja, - qual óleo ou aguarela - do Armazém Regimental a controlar o espectáculo, espreitava o Júlio Ramela.
Enchia-se a praça de gente anónima com graça;
O João Cowboyada, o Márinho engraxador e até o padre Eudoro, que ainda há quem por ele chore. O Caindinho, o João Ramelica, o Marinho Tarejo, o Adelino Racú, a Ramboia, a Julieta
Canané, o Xico Feio, o Martins dos caixões, o Gilberto Lambeta, o Comeciá, o Armando Cowboy-Preto, o Chico Panco, o Zé Xotinha, a Ilda Pardal, a Miss Lixívia, as Pá-Caiádo, o Júlio
Puto, o Borda-d'água, o Chorão, o Armando Malagueta e tio Gaspar Galinha que até disse que não vinha.
Comentava-se, que o Enterro vinha a caminho, mas ainda não!...
-Uma desilusão, dizia o Rogério Aldrabão.
Era a Banda Filarmónica, que quer sim ou não se queira, o maestro era o Palmeira. Atrás; O capitão Abóbora, o Jesíno, o Zé Umílo, o Alcatrás, o Sebastião Lulu, o António da Sabina, o Armindo Ranhuça, a Laurinda maluca, o Armando Bicho, o Zé Sapateiro, o Barroso barbeiro, o Atóino da Marranita, o Janita Churrú, o Caldaja, o João Marreco, o Zé Lagarto, o Ilídio Bocage, os irmãos Macaco, o Jorge da Paulina, o Joaquim Besugo, a Vá ao Mar, o Cabeça de Boi, o Jeitoso, a Magana, o Lombriga, o Zé Mirra, o Américo Pápeira, o Bota Fogo, o Carimbado, o Calminha, o Gravatinha e ás páginas tantas, o Ladrão das luvas brancas.
Continuava o bailarico;


O Inácio Sagreiro que não cobrava dinheiro, fechava os olhos e abria o fole, o Atóine da Chã, o Manél Major cabeçudo, o Augusto da Muleta na guitarra, o Lava a Cara no jaz, o Jaquim Xaiôta na gaita,o Ginja na trompeta o Zé Cailogo nos pratos, o Eduardo chapagem no bombo, o pai Falé no harmónio, o Manél Carreiro na concertina, no contra baixo o Paixão (pausa) e o Artur Baldeôrras que endoidava a orquestra num samba de ocasião.



O Presidente da Câmara levantou-se da cama p'ra ouvir a banda tocar. O Sr. Padre de joelhos já com os olhos vermelhos, de tanto rir e chorar. O Jaime Graça falava. Cuspia um cigarro que roía e de olhar esbugalhado, quase caía para o lado sem saber o que dizia.
Vendiam-se bilhetes p'ra rifa. O Zé-dá-Peidos o tesoureiro, p'ra festa do ano seguinte era preciso dinheiro. A quermesse também lá estava com o seu pequeno leilão, às receitas da igreja era feio dizer não. A rapaziada da Barcaça disse sim estava presente, isto era bonito e alegre e fazia a malta contente. Não parava de chegar o povo lacobrigense;
A Xica Janota, o tio Jaquim-das-Vacas, a mademoiselle "A Vargas", o Jacinto-pé-de-Galo,
o António Loiça-fina, o Rogério Monhé, o Florindo-o-Burro-é-Meu, a Cara Linda, o Artilheiro, o Jaquim Canané, o tio Alhinho, o Rogério Piolho, a Antonieta Martela, o Joaquim Caca-Seca, o Aníbal Setenta, o Armando Rata-Morcelas, o Quatro Olhos, a Quarenta Cabelos, o Mata gente, o Camachinho, o Chalupa, o António Lipica, o Joaquim-Sabe-Tudo e eu ainda não disse tudo.
Cheirava a Pó-de-Arroz, a Naftalina, a Água das Rosas e Brilhantina. A ranço das frituras, bagaço e cerveja. E a garrafa de vinho embrulhada num jornal, para que não se veja.
Algures a voz do Palmeira - Tá xegadinho, vé lá vé lá!
A meninada que por ali brincava seriam mais tarde;
O Chico General, o Come-e-drome, o Carlos Fininho, o Estoia
o Zé Sopapo, etc.
Em acordes ressonantes
inspirados na aguardente,
ia safonando a orquestra
p'ra animar aquela gente.

O Inácio sagreiro que não cobrava dinheiro, fechava os olhos e abria o fole, o Atóine da Chã, o Mané Major cabeçudo, o Augusto da Muleta na guitarra, o Lava a Cara no jaz, o Jaquim Xaiôta na gaita, o Ginja na trompeta e o Zé Cailogo nos pratos. O Eduardo Chapagem no bombo, o pai Falé no harmónio, o Manél Carreiro na concertina, no contra baixo o Paixão (pausa) e o Artur Baldeôrras que endoidava a orquestra num samba de ocasião.

Como loucas, dançavam a Calhau, a Zé Marau, a Mordela-de-cão e a Bertelina Môcha mascarada de lata de banha, que ao encontrar par, teve uma sorte tamanha.
Chegavam os retardários;
O Zé Tónio-mata-a-mãe, o Zé Manél Pifano, o Xico Setúbal no seu pregão -Quem quer comprar carne de porco vá a rua da Zorra!?, o Jôquim Caca-seca, o João Melão, o Romeu Pacote, o Zé Garrôcho, o Jaquim Caldeirada, o Américo Pintor, o Serafim Caiador e o Manél Alcatraz. O Aparício Gago, o Zé dos Chibos, o Jaiminho Despachadinho, o Xico Salmonete, o Calanito, o Chupa-dedos, as Engole-espadas, o Makuna, o Lopo-Môcho, o Jacinto Cuco, o Adelino Sagorro, o João Bloito, o Joaquim Roxinol, o Jesus Martelo, o Barriga de Vaca e o Augusto "Gramesil" que dava um e queria mil.
Aumentava o burburinho o Enterro estava a chegar. Era a loucura!
Qual feira qual romaria. Ouviam-se gritos e gargalhadas o corteja estava ali, abriram-se fileiras para o cortejo fúnebre passar - tira da frente! tira da frente! - dizia o Palmeira, enquanto alguém gritava no Coreto.
-Parem o baile parem o baile. -Chegou o Enterro (comédia e crítica social).
...Ia à cena a Cegada.
A moçada fugia do Ti Zé Lúcio. A um canto impávido mas sereno, o tio Zé justo apreciava a festança. Passavam as senhoras finas, de mais uma sessão de Canasta, ouvia-se ao longe - ah Malçoado - a voz do Raul d'Alvôr. Pararam de dançar duas damas, Borradas de Chocolate, e o tio Zé Sagreiro com a Elvira Vila Real.

Riam-se moças sem parar
sofria o Abílio Sacristão
que com as calças na mão,
estava à rasca p'ra mijar.

Figuras simbólicas, formas abstractas.

... O Enterro - finalmente a Cegada!
O caixão aberto os acólitos em desespero. O Zé Gaspar era o juiz, o Raul Saltirico a viúva, que de vestido negro mais negro que a sua triste sina, gritava desalmadamente. O morto piscava o olho derramando riso num copo de aguardente. Algumas carpideiras gemiam cinicamente inconsoláveis.
... Por um funil soava a leitura pública do testamento.
Em suave deslizar saíam do caixão à luz de tochas de fogo, as tripas (salsichas) do Entrudo. Era a risada, a alegria de toda aquela gentinha e o resto até se adivinha. Até o Manél Morto-e-Vivo que quando viu o caixão, caiu-lhe os t...... no chão. As mãos do Cangalheiro remexiam a matrafona que doida de endoidecer gritava, gritava, não sei se de dor ou prazer. Do testamento injusto discordava a família; um queria as botas outro o chapéu de coco, era um desafío verbal próprio do Carnaval, a matrafona chorava que ele não deixara nem um tostão.
... Morreu teso! Dizia.
-Teso? Disse o António Milord olhando p'ra caixão - isso não estou a ver!
Continuava o testamento.
-Este pobre coitado, deitado e "escarado", morreu de uma grave alergia ao trabalho. Deixou um tacho de barro p'ra papas, dois púcaros sem asas, e um penico de ... Desmaios, gemidos, arrotos de batatas doces e cerveja, a cada frase do Juiz. Gritos lancinantes da viúva e dos familiares faziam eco nas paredes da praça. A multidão engrossava, gargalhava, delirava e esmagava-se para tocar as tripas do Entrudo que andavam de mão em mão...



Que grande Enterro!
Ouvia-se a algazarra das máscaras vindas do Marítimo, do Metalúrgico, do Sport(e), do Grémio, dos Artistas e dos Ricos. A gente não parava de chegar. O envolvimento colectivo e popular, era uma invasão da folia.
O Jôquim Pute-su-mãe, o Victor Barrigana, o Joaquim P'rico, o Pinduca, o Prega-Saltos, o Enredo do Odiáxere, o Ventas de Lona, o Pintainho, o Atóino Sissi, o Xico Pequenino, o Zé Ilhéu, o Tóino Gorgulho, o Carlos Cágui-té, o Satélite, os Amolas e o Mané Gago. Nas escadas da Messe dos Militares, os irmãos Papo-Seco, o Carrasquinho Gagá, o Chico Estragado, o Zé Tónio Arez o João Gigante e os Capadinhos, preparavam uma tiborna com um casqueiro do Gilberto.
Acabou o Enterro, saíu a Filarmónica gemendo uma marcha fúnebre desafinada e a orquestra voltou ao coreto.

O Inácio sagreiro que não cobrava dinheiro, fechava os olhos e abria o fole,
o Atóine da Chã, o Mané Major cabeçudo, o Augusto da Muleta na guitarra,
o Lava a Cara no jaz, o Jaquim Xaiôta na gaita, o Ginja na trompeta, o Zé Cailogo nos pratos,
o Eduardo Chapagem no bombo, o pai Falé no harmónio, o Manél Carreiro na
concertina, no contra baixo o Paixão (pausa) e o Artur Baldeôrras que endoidava a
orquestra num samba de ocasião.

Dançavam saltavam deliravam, era um arroubo do espírito. Já ninguém se entendia na noite que já era dia... O som o suor e o vinho, qual feira qual romaria!? O orquestra não parava de tocar.

O Inácio sagreiro que não cobrava dinheiro, fechava os olhos e abria o fole, o Atóine da Chã, o Mané Major cabeçudo, o Augusto da Muleta na guitarra, o Lava a Cara no jazz, o Jaquim Xaiôta na gaita, o Ginja na trompeta e o Zé Cailogo nos pratos. O Eduardo Chapagem no bombo, o pai Falé no harmónio, o Manél Carreiro na concertina, no contra baixo o Paixão (pausa) e o Artur Baldeôrras que endoidava a orquestra num samba de ocasião.

Soaram dois apitos?!, A Guarda Republicana. Perto da parede do rio, sarrabulho pancadaria, os Pinguinhas, o Zé Careca e outro armado em atleta, lutavam na multidão. Estava a pintura borrada e a festa atazanada, saiu da praça a orquestra e o baile chegou ao fim. Voltavam pescadores do mar e a gente começou a zarpar.
Acordava o sol dorminhoco, soavam os sinos p'ra missa.
Uma voz rouca bocejou.
-Até para o ano...

*Conheci todas estas pessoas
com as respectivas alcunhas.

"O tempo não apaga
A Lagos que eu vivi,
Tantos sonhos e ilusões
No dentro d'eles cresci."

(um misto de realidade e ficção
à Lagos da minha infância)

*A cegada aqui exposta, é uma associação do Enterro do Entrudo
e da Serração da Velha.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

José Gaspar (continuação)



Em cena uma Revista à Portuguesa (talvez a 1ª em Lagos), realizada nos anos 50 pelo José Gaspar e pelo Clube Marítimo Os Lacobrigenses.
A misteriosa caixa cênica



O José Amandio (à direita) fazendo o fecho do espectáculo.

.




O José Gaspar em cena. (no canto direito em baixo. o irmão do jornalista Calitas)





Guerra em cena - negócios de família.





Cantarinhas nas ancas





A Odete e o Silvestre (alfaiate).





A Maria Dilar e o Maciel Momentos de Fado: Maciel, Silvestre, Augusto -guitarra, José Amandio e o José Luis (da Garrett) - viola. A Maria Dilar fadista



Era eu menino !... Com quanta saudade recordo toda esta actividade do meu pai e todos estes personagens que participavam generosamente e desinteressadamente por amor ao clube, embrenhados na arte do teatro e do folclóre, retratando pedaços da vida (que na altura não era fácil), deliciando e fazendo sonhar a plateia. O teatro e o folclóre vêm do povo, nascem livres nos corações dos camponeseses, dos pescadores. São o trabalho, o mar, o campo, as fábricas, os partos, as mortes, e a luta pela vida. O meu pai sem ser um intelectual, lia perfeitamente este mundo. Gostei do que ele fez...
Obrigado José Gaspar !















Baile de Roda "Arribalé" (fotos da cidade de Lagos)




Rancho Folclórico do Clube de Futebol Marítimo "Os Lacobrigenses"




Anos 50




PS. A qualidade das fotografias, a imprecisão de alguns nomes, datas, e erros de gravação, são da responsabilidade do tempo, da tecnologia e da minha memória. As minhas desculpas aos mais exigentes.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

José Gaspar - Fundador do Rancho Folclórico do Marítimo - Lagos

............ Foto tirada na sede do Marítimo na Rua 1º. de Maio em Lagos - 1955 (clique na foto)



Marcha das Camponesas

Rancho Folclórico do Clube Futebol Marítimo "Os Lacobrigenses"

JOSÉ GASPAR

Um homem que os autarquas da Cidade de Lagos esqueceram...

José Gaspar, natural de Lagos, filho de António Gaspar (Lagos) e de Maria de Assunção (Montes de Alvôr).


..................................Nasceu a 23-6-1920 e Faleceu em 7-4-1964

..................................O casal Gaspar: Julieta e José com 17 e 21 anos

Recrutado para o serviço militar de Lisboa, levou consigo a namorada Julieta dos Santos e em Peniche ficou a viver de uma pequena empresa de fabrico de calçado. Dotado de uma boa veia artística, começou a fazer teatro, cegadas*, folclóre, etc. Em 1942 (?) fundou com alguns amigos o Rancho Folclórico dos Pescadores e Rendilheiras de Peniche que à época era a par do TÁ Mar da Nazaré e outros, a nata do folclóre português. Regressando ao Algarve-Lagos em 12/1952(?), dedicou toda a sua vida ao associativismo, fundou o Ranho Folclórico do Marítimo e foi durante alguns anos o Presidente do Clube Futebol Marítmo "Os Lacobrigenses". Desenvolveu trabalho de vulto neste clube desportivo e recreativo. Ficaram célebres as matinés e os bailes, as gincanas de dança, as noites do bailes da pinha e de carnaval que duravam até o sol nascer, assim como as revistas o teatro e as marchas cantandas e dançadas pelas ruas da cidade **.

A criação do Rancho Folclórico do Clube Futebol Marítimo "Os Lacobrigenses" foi um trabalho árduo, entre outras tarefas: cantarolar as melodias para os acordeonistas aprenderem, explicar às costureiras os desenhos do trajes, ensaiar os passos das danças e o mais difícel, mobilizar as raparigas com a difícil autorização das mães (face aos tabús e preconceitos próprios da época), para participarem nos trabalhos do grupo. O Rancho (aonde militaram dezenas e dezenas de jovens) participou e ganhou prémios em alguns certames com destaque para um 1º. Prémio num certame internacional na Alameda de Faro. Gravou dois discos, um LP e um EP, participou num programa de televisão na RTP e em espectáculos em Lisboa. Guardo ainda na memória a espectacular actuação deste Rancho, nas Comemorações Henriquinas de Novembro de 1960 em Lagos, quando pela alta qualidade, se destacou de todos os outros grupos folclóricos presentes. Em toda esta actividade do José Gaspar, participaram algumas personalidades (artistas e intelectuais) da cidade: Prof. Anatólio Falé, Tino Costa, Maria Dilar, José Vicente (o popular Zé de Marrocos), Sebastião Murtinheira, Sr.Pestana (em aspectos etnográficos) e o músico António "da Chã" que teve a paciência de passar para o papel todas a notas musicais que o José cantava.

* Cegadas são pequenas peças de teatro cantadas e representadas na rua. Vêja exemplo de uma organizada pelo José Gaspar, que eu retrato em Carnival Time (A morte do Entrudo anos 50) num post de 20/2/2009.


http://musicafigosemedronho.blogspot.com/search?updated-max=2009-07-09T09%3A48%3A00%2B01%3A00&max-results=50


**As pessoas mais desfavorecidas aderiam a tudo isto como uma forma de se divertirem e de terem algum contacto com a cultura, porque os outros clubes da cidade (Grémio, Artístas, Ricos e até o Metalúrgico) fechavam-lhe as portas numa acção discriminatoria. Por exemplo uma operária conserveira, um pescador que não pescasse numa traineira ou um operário, não poderiam frequentar os clubes de elite, era a cidade e a gente que tínhamos. Por toda esta desigualdade e pela pobreza de espírito dos chamados ricos e "finos", o povo adorava a actividade do José Gaspar e gostava dele. Em Lagos, não há memória de um funeral com o do José, parecia que a cidade inteira estava presente para lhe dizer adeus. Faleceu o José Gaspar, o Rancho Folclórico do Marítimo e como uma desgraça nunca vem só, o Clube Marítimo " Os Lacobrigenses" acabou por falecer também perante a "complacência" das entidades locais.



Rancho Folclórico dos Pescadores e Rendilheiras de Peniche
O José Gaspar é o 3º. da esquerda.


A Julieta (minha mãe) é a do meio.


José e Julieta (grávida do meu irmão)


*Click nas Fotos para as ampliar.


Primeira formação do Rancho do Clube Futebol Marítimo "Os Lacobrigenses" 1953
Maria da Glória, Idalina Marreiros, Maria Francisca, Carminha, Noémia, Alda Mateus, Amélia(Pinguinhas) e Anália, Orlando Café, Manuel Firmino, João, J.A.Santos e Basílio.
Actuação na Estalagem S. Critovão (do Hermano Baptista) com os acordeonistas "Tóino da Chã" e o Duarte Ribeiro.
Depois de o Jantar. (José Gaspar ao centro ao lado do José Borlinha, director do Rancho)
Outra formação - o Penúltimo homem (criança) à direita sou eu o Armindo Gaspar
Para lá das raparigas da foto anterior, figuram: a Madalena, a Fátima e a Henriqueta, o Manuel Aníbal, o Manuel Cabreiro, o João, o Chico, o Augusto, o António Café e o José Gaspar atrás da Bandeira.





Carregando a rede na Ribeira.

Remando no Bote.

- Deixa a moça pá !
Carminha e Orlando


Esperandos os pescadores !?


Dançando o corridinho com alegria...



O Zé da "Avó" e a Maria José


A Madalena e o Manuel Cabreiro


O 2º. Disco EP (Gravado por volta de 1965 - já após a morte do José Gaspar). O 1º. Disco LP não resistiu ao tempo, talvez por ter sido feita uma edição muito reduzida !?

.

Os diferentes Trajes das três diferentes formações



Letras de canções:

Corridinho maroto
.
Puladinho agarradinho
Assim contigo quero estar
Abraçadinho p’lo beicinho
Junto a ti hei de ficar (bis)
Vai rodando vai rodando
Não te negues a rodar
Entra na roda pulando
Eu contigo hei de ficar

Tu és maroto dás-me no goto
Mas tu de mim tu já não gostas
Não sejas ruim não vires as costas (bis)
Bailes bem ou bailes mal
Hás-de ser sempre o meu par
P’ra tia não vou ficar.

Corridinho do sarilho

Dança comigo
Dá-me os teus braços
Dá meia volta
Damos dois passos
Dança comigo
Sim ó morena
Saia rodada
Cara pequena
Vem cá
Não digas não
Dá meia volta
Com emoção
Se danço
Faz-me lembrar
Uma cachopa
À janela a namorar

Dançamos o corridinho
Agarrado ao par
Com muito jeitinho
O corrido bem dançado
É bem bonito
E apreciado
O amor quando se encontra
Mostra esperança
E muito carinho
E vem de modo engraçado
De cara ao lado dá cá um beijinho.

Baile de roda “Arribé”

‘inda agora aqui cheguei
E já me ponho a cantar
‘inda agora aqui cheguei
E já me ponho a cantar
Cantas bem que eu bem sei
A roda vai animar
Cantas bem que eu bem sei
A roda vai animar

Bate bate (arribé)
Teu pé no chão “ “ “
Roda roda “ “ “
Na minha mão “ “ “ (refrão)
Ao compasso “ “ “
Mais apressado “ “ “
Meu peito ao meu “ “ “
Muito apertado, ói…

Esta roda está formada
É Manel animação
Esta roda está formada
É Manel animação
Vim do mar para saltar
Junto do meu coração
Vim do mar para satar
Junto do teu coração (refrão)

Ó Maria deixa falar
Há má lingua em todo o mundo
Ó Maria deixa falar
Há má língua em todo o mundo
Não me deixes a vazar
Nem deites a fateixa ao fundo
Não me deixes a vazar
Nem deites a fateixa ao fundo (refrão)

Ó meu cravo desfolhado
O teu cheiro já se perdeu
Ó meu cravo desfolhado
O teu cheiro já se perdeu
Guardas o osso deixado
Das popas qu’outro comeu
Guardas o osso deixado
Das popas qu’outro comeu.
.
Vira de "Pesca ao candeio"

Não quero que vás ao mar
Receio em te perder
Vem para a praia pescar
Quero contigo aprender

Meu amor é como o mar
E como o vira também ...............Refrão
Que se farta de virar
Sem se agarrar a ninguém
Quero ver se tudo isto
Que trago dentro do seio
É capaz de te atrair
Como na pesca ao candeio
Rapazes e raparigas
Cautela tenham cuidado
Que o fogo que muito brilha
É dificil apagá-lo.

Marcha da Costa d’oiro
.
Ó Lagos terra de encantos
E de belezas sem par
São lindos os teus recantos
Alguns beijados p’lo mar
Tens o forte da bandeira
O cais da solaria
A tua bela costa de oiro
Que encerra tanta magia

Adeus Lagos
De humildes pescadores
Ó Lagos terra de encantos
E de formosas morenas
Adeus Lagos
Terra formosa de amores
De lanchinhas e traineiras
E humildes pescadores

A bela praia formosa
Ligada à dos estudantes
A caldeira e o pinhão
Como dois velhos amantes
Sentinelas da baía
Te guardam a costa d’óirada
Para não teres receio
Que ela te seja roubada
...........................................Adeus Lagos……….
Da D. Ana ao Camilo
Tens o gigante e a boneca
O arquinho e o moinho de vento
Ao lado a vinha cavada
A balança e a piedade
Com as suas furnas sem igual
Que fazem deste (lindo) cantinho
O mais belo se Portugal.

Marcha das camponesas

Passa o rancho de Lagos
Pelas ruas a cantar
O mais lindo e sempre fixo
O rancho mais popular
Camponesas engraçadas
Vestindo saias vermelhas
Lembram-nos as lindas fadas
Citadas nas velhas lendas.

Viva o rancho de Lagos
Vamos p’ra ele cantar
O mais lindo e sempre fixo
O rancho mais popular
Pescadores e camponesas (refrão)
Vamos todos a cantar
Não esqueçamos Lagos
Que é de todos o mais fixo
Dos ranchos da beira-mar

Nós alegres pescadores
A palma ninguém nos tira
Nossas camisas de cores
São feitas de caxemira
Vamos todos caminhando
Com ardor no coração
De braço dado entoando
Bem alto a nossa canção.
.
Vira de Lagos
.
Que bonito é ver ao longe
As lindas embarcações
E na praia a palpitar
Ficam os nossos corações
Ó vira que vira
Vamos para o mar
Pescar a sardinha
Que belo manjar.
.
Noite de Cantigas
.
Noite de cantigas
Quando as raparigas
Coma alegres cores
Saltam as fogueiras
Esquecem canseiras
E pensam em amores
E sempre contentes
Corações ardentes
Bocas a sorrir
Deixam ao deitar
Um cravo ao luar
P'ra ele florir
Quem amor não tem
Peça ao Santo António
São João lá vem
Traz o matrimónio
Quem amor não tem
Peça ao Santo António
São João lá vem
São João lá vem
Traz o matrimónio
Haja romarias
Haja romarias
E toca a folgar
Todas as Marias
Todas as Marias
Têm o seu par
Teatro

Representando


Maria Dilar (ao centro de colar ao peito)





Marcha das Camponesas
Rancho Folclórico do Clube Futebol Marítimo "Os Lacobrigenses"

Cantam Manuel Firmino e Maria Francisca, acordeon António da "Chã"

(estas fotos e mais algumas, fazem parte do conteúdo de um bau de recordações da minha saudosa mãe e algumas foram-me gentilmente emprestadas por antigos membros deste Rancho. Enviei também as do Rancho de Peniche para um Museu local).

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PS. Informo as pessoas interessadas que no próximo verão de 2011, 47 anos após o falecimento do José Gaspar, será organizado um jantar em memória do mesmo com a apresentação de todas as canções do Rancho, recreadas e gravadas por mim com nova tecnologia.

Podem contactar-me pelos Telefones 282/089613 ou 965672208

(Este jantar estava previsto para este ano de 2010, mas por dificuldades e falta de tempo foi adiado para 2011)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Oh como és bela minha amada música !

CHUVA...

O rei dos instrumentos musicais é a voz humana, assim como o melhor som de precussão é o do corpo humano, a testemunhar estas palavras, o filme abaixo:

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

4 fotos tiradas à sorte...

Não sei de que falar: Casa Pia m...., Coelho m...., Queirós m....
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The Pop Star Freddie, a nú.

O gato Ramsés, a crescer.

O amigo A, a envelhecer.

O amigo G, a "historiar".

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Faleceu o Zé Maria, tão grande na arte como na humildade.

O adeus ao Zé Maria !


Obra de José Maria Silva Pereira (ZEMA) 1954 - 2010 Lagos


Este poema a um grande amigo que nos deixou.

Escultura

Do pó do destino
é o mármore da vida
em lápide esculpida.
Vê-se o perfil bizantino
na fria face de opala.

Onde a arte se eleva, a alma se cala.
E o Criador assiste a criatura
na arte imitando a vida, esta escultura,
- inacabada-.

E à estátua que ao sol rebrilha quando ao vento estala,
falta-lhe o espírito, que ao génio sobra.
Pois o artista pensa, mas a sua obra não fala.

de: H.P.de M. Filho

Restrospectiva de uma vida musical - III e V partes



quinta-feira, 8 de julho de 2010

Concerto em Espiche 06/Agosto/2010

A Banda Tabemdexa dá um Concerto na festa anual em Honra de N. Srª da Encarnação de Espiche

Hélio, Júlio, Rui e Armindo


A típica Vila de Espiche



Vamos imbora moços...